O cão não é vilão

A Comissão de Proteção e Defesa dos Animais(CPDA), da OAB/RJ irá, promover nesta segunda-feira(26) às 17h, na sede da OAB, no Centro da cidade, o Seminário “Leishmaniose: tratar e não matar” - um debate sobre a nota técnica conjunta emitida pelo Ministério da Saúde e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O debate será mediado pelo presidente da CPDA/OAB, Reynaldo Velloso, e também estarão presentes o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária(CRMV)/RJ, Cícero Pitombo; o presidente da ANCLIVEPA, Rogério Lobo, o diretor do Instituto Jorge Vaitsman, Gil Vicente, e os especialistas Fábio da Fonseca, Luis Claudio Abboud, Rebeka Cury Danielle Figueiredo.

Atualmente os veterinários vivem um dilema, tratar ou não tratar os animais que aparecem com a doença, muitos se encontram sob pressão de uma outra Portaria Interministerial que proíbe o tratamento. Alguns já foram suspensos pelos conselhos regionais, que seguem à risca a orientação de proibição ao tratamento.

Porém, uma novidade parece mostrar uma esperança para aqueles que são engajados na luta pela vida, em agosto passado os dois Ministérios editaram a nota técnica n° 11/2016 autorizando o registro do produto Milteforan para o tratamento da leishmaniose visceral em cães.

Mas, a nota emitida não caracteriza a utilização como uma medida de saúde pública para o controle da doença, deixando a escolha do tratamento unicamente por decisão do tutor do animal e também não caracteriza provimento imediato do produto ao mercado nacional, visto que a comercialização depende de diversos fatores necessários para a importação.

Apesar de na Europa já ser utilizado especificamente para cães, há muitos anos, este medicamento não deverá chegar ao Brasil antes de fevereiro de 2017.

Reynaldo Velloso conta que recebe muitos relatos de veterinários dizendo que a orientação de um modo geral é matar, mesmo que após os testes  não se encontrem o parasita.“ O parâmetro é de que basta apenas encontrar os anticorpos. Um absurdo. Estes Senhores dos Ministérios não são os Senhores da Morte. O governo deveria investir na prevenção, no combate ao mosquito palha, e não disseminar a matança dos cães”, afirmou o presidente da CPDA/OAB-RJ.

O evento terá entrada gratuita e será transmitido ao vivo pelo canal da OAB/RJ no Youtube.

Serviço: Data: 26/09 Horário:17h Endereço:Avenida Marechal Câmara, 150/4° andar, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Entrada franca

O que é Leishmaniose:

Leishmaniose Visceral Canina é uma zoonose (Doença que é transmitida de animais para as pessoas).Leishmaniose Visceral Canina afeta pessoas em várias partes do mundo, estando presente em toda a América do Sul, sendo que 90% dos casos registrados estão no Brasil, está presente também no Sul Europeu, na África do Norte e Oriente Médio e na China.

A Leishmaniose afeta anualmente cerca de 500 mil pessoas em todo o mundo e cerca de 3 mil destas pessoas estão no Brasil. Segundo a Organização Mundial de Saúde a Leishmaniose está entre as 6 maiores endemias do planeta.

Trata-se de uma doença crônica e caso não seja tratada, pode ser fatal, possui como agente etiológico o protozoário Leishmania donovani chagasi, e é transmitida através da picada da fêmea do mosquito hematófago (que se alimenta com sangue) Lutzomyia longipalpis (conhecido por Mosquito Palha, Birigui ou Flebótomo) contaminado.

Por tratar-se de uma zoonose, ou seja, uma doença que é transmitida dos seres humanos para os animais e vice-versa, o governo brasileiro adotou uma medida bastante drástica, com a intenção de dizimar a proliferação da Leishmaniose no país e instituiu que todos os animais acometidos pela Leishmaniose devam ser sacrificados.